A baixa cobertura vacinal acendeu um sinal de alerta. Como consequência, há o retorno de surtos, perda da imunidade coletiva e aumento da quantidade de internações.

Doença viral altamente contagiosa transmitida, o sarampo é uma dessas doenças que têm “ressuscitado” pela queda na imunização. No estado de São Paulo, 24 casos foram confirmados recentemente e a situação é considerada um surto.

O médico infectologista Rogério Sobroza, de Tubarão, lamenta o atual cenário, segundo ele, perfeitamente evitável. “O surgimento de surtos de sarampo em pleno século 21 é uma situação alarmante. O sarampo é uma doença de altíssima transmissibilidade e que pode causar consequências graves ou matar”, declara.

A tríplice viral é a principal forma de prevenção. A vacina deve ser aplicada nos bebês em duas doses, aos 12 e 15 meses de idade.

“Nós temos uma das vacinas mais seguras e eficazes do mundo. Quando a hesitação faz a cobertura vacinal cair abaixo do índice de segurança de 95%, quebramos a proteção coletiva e expomos as crianças e as pessoas mais debilitadas. Tratar a imunização como uma simples 'escolha individual' é um equívoco”, explica o médico.

Embora qualquer pessoa sem proteção possa contrair sarampo, algumas têm maior risco de desenvolver formas graves. Crianças menores de 1 ano são as mais vulneráveis porque muitas ainda não receberam todas as doses da vacina e possuem um sistema imunológico imaturo.

“Vacinar-se é também um ato de responsabilidade, é uma ação que você faz pelo bem da comunidade. Precisamos com urgência de busca ativa, promoção ativa da informação científica baseada em evidências e facilitação do acesso às doses para reverter esse cenário”, finaliza o infectologista.

O vírus do sarampo pode sobreviver no ar por até 24 horas, sendo muito mais transmissível que outros vírus, como o da gripe e o da Covid-19.

O sarampo pode causar complicações graves como pneumonia e encefalite, a inflamação do cérebro, especialmente em crianças menores de 5 anos, sendo potencialmente fatal.

Pacientes com febre, manchas vermelhas na pele, tosse, coriza ou conjuntivite, principalmente quando há histórico de viagem ou contato com viajantes, devem ser investigados rapidamente.

A queda da vacinação é impulsionada em parte pelo crescimento do movimento antivacina e da desinformação. A situação não é exclusividade do Brasil.

A doença avança em outros países das Américas. Os Estados Unidos, por exemplo, enfrentam seu maior surto em 35 anos, segundo as autoridades de saúde do país.