O encontro reuniu representantes de diversas forças de segurança do estado. Eles debateram sobre as ações de prevenção do governo, educação ambiental e os próximos passos para mitigar futuros casos.

Participaram do encontro representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas), Corpo de Bombeiros, Instituto de Medicina Legal (IML), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Universidade de Pernambuco (UPE), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Secretarias de Educação e Turismo do estado, Ibama, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), prefeituras de Olinda e do Jaboatão e da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (ONG Sobrasa).

Microchipagem Esta semana, duas pessoas foram mordidas pelos animais marinhos em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, e em Boa Viagem, Zona Sul do Recife (relembre casos ao final do texto).

Segundo Danise Alves, secretária executiva do Cemit, especialistas da área montaram um cronograma para iniciar ainda em junho trabalhos de mitigação e conscientização ambiental.

Em julho começam a ser implantados microchips em 50 tubarões. Eles serão capturados em um barco pelas equipes de biológos.

“Antes era no Sinuelo, mas agora vai ser em outra embarcação. Eles trazem o animal para o barco e fazem uma mini cirurgia, colocando o chip que é do tamanho de uma pilha. A equipe tem experiência de mais de 30 anos. Após ser suturado, o animal volta para a água. A gente chama esse processo de biomonitoramento, porque serão coletados sangue, tecido e, caso seja fêmea, será feito ultrassom para saber se estão grávidas. Daí, a gente vai identificar se aquela área é de reprodução. A microchipagem dura, no máximo, 15 minutos”, detalhou ela.

Reuniões periódicas Ainda na reunião do Cemit ficou definido que, a partir deste mês de junho, reuniões setoriais com redes de educadores ambientais vão acontecer para intensificar a presença nas praias, a fim de praticar a conscientização ambiental nas pessoas. A partir daí, também será montado um grupo de trabalho para estudar as localidades caso a caso.

“Agora a gente não consegue definir o que está acontecendo na costa, porque tivemos uma janela de mais de dez anos sem investimentos para entender os padrões de deslocamento de tubarões no estado. O que podemos responder é sobre o que podemos fazer. Vamos a campo fazer a educação ambiental, tentar mobilizar mais atores para, juntos, tentarmos prevenir contra esses incidentes”, explicou.

Praias serão interditadas? Ainda durante a fala, Danise assegurou que as praias do Grande Recife não serão fechadas para banho. A partir do projeto citado por ela, serão definidas as áreas de maior risco para que seja montado um sistema de monitoramento eficaz, uma vez que o Brasil é o quarto país no mundo que mais registra incidentes com tubarão.

Ele perde para os Estados Unidos, Austrália e África do Sul. Todos usam tecnologia para microchipar e satelitar os animais marinhos.

“A gente precisa trabalhar a sensibilização ambiental, porque as pessoas precisam entender o risco, medidas preventivas, a maré alta e água turva. São informações que parecem simples, mas que vão salvar vidas. Fechar as praias não vai resolver se a pessoa não tiver consciência de que aquela área tem riscos de incidentes”, finalizou.

Relembre casos recentes No último domingo (31), João Lucas Castor Nemesio Sales, de 11 anos, foi mordido por um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade e teve a perna esquerda amputada.

A 10 quilômetros de distância, em Boa Viagem, no dia seguinte, na segunda-feira (1º), Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi mordida por um tubarão da espécie tigre. A perna direita dela foi amputada pelo próprio animal.

Com os incidentes citados, Pernambuco chega a 84 ocorrências desse tipo, desde 1992. Do total, 70 ocorreram no Grande Recife e 14, em Fernando de Noronha.

Como estão as vítimas? Os dois estão internados no Hospital da Restauração (HR), no Derby, área central do Recife. Segundo a última atualização da unidade de saúde, nesta quinta-feira (4), eles receberam alta das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e apresentam quadro de saúde estável e seguirão o tratamento em enfermaria, sob acompanhamento da equipe multiprofissional do HR.

"“Antes era no Sinuelo, mas agora vai ser em outra embarcação. Eles trazem o animal para o barco e fazem uma mini cirurgia, colocando o chip que é do tamanho de uma pilha. A equipe tem experiência de mais de 30 anos. Após ser suturado, o animal volta para a água. A gente chama esse processo de biomonitoramento, porque serão coletados sangue, tecido e, caso seja fêmea, será feito ultrassom para saber se estão grávidas. Daí, a gente vai identificar se aquela área é de reprodução. A microchipagem dura, no máximo, 15 minutos”, detalhou ela."

"“Agora a gente não consegue definir o que está acontecendo na costa, porque tivemos uma janela de mais de dez anos sem investimentos para entender os padrões de deslocamento de tubarões no estado. O que podemos responder é sobre o que podemos fazer. Vamos a campo fazer a educação ambiental, tentar mobilizar mais atores para, juntos, tentarmos prevenir contra esses incidentes”, explicou."

"“A gente precisa trabalhar a sensibilização ambiental, porque as pessoas precisam entender o risco, medidas preventivas, a maré alta e água turva. São informações que parecem simples, mas que vão salvar vidas. Fechar as praias não vai resolver se a pessoa não tiver consciência de que aquela área tem riscos de incidentes”, finalizou."