a questão: como garantir essa independência quando o acordo que o levou à presidência tem o aval e o apoio do governador Jorginho Mello, seu aliado e correligionário? Difícil a Assembleia manter sua autonomia para fiscalizar o Executivo quando os dois lados são um lado.
CARGO NOVO NA UNIVALI Bruno Mello, filho do governador Jorginho Mello e vice-presidente estadual do PL, acaba de ganhar um novo cargo na Univali: será o primeiro Pró-Reitor de Inovação, Internacionalização e Mercado da instituição. A estrutura, quem diria, foi criada agora, não existia anteriormente. A nomeação foi anunciada pela própria universidade. Inesperadamente, a Univali é uma das principais beneficiárias do Universidade Gratuita, programa do Governo do Estado. Em 2025, recebeu R$156 milhões por meio da iniciativa. Parabéns, Bruno, pela conquista!
JORNAL NACIONAL DOS EUA Algum desavisado que ligue a televisão no principal telejornal do Brasil pode achar que está vendo uma afiliada de uma CNN: o jornal nacional nunca antes esteve tão americano. Nesta semana, foram extensas reportagens sobre as eleições no Tio Sam, com minúcias sobre candidatos ao Senado e suas polêmicas. Há que se ter um certo equilíbrio. Se ainda fosse uma análise relacionando com o impacto no Brasil, mas não!, o jornal apresenta as matérias como se fôssemos eleitores de lá. Temos um presidente eleito pela quarta vez numa eleição histórica, PEC da Segurança Pública, voto distrital sendo levantado… e o JN falando em James Talarico. Tenha dó. Aí depois de 15 minutos falando sobre a disputa no Maine ou Tennessee, ficamos sabendo que há fortes chuvas em Rondônia, com pessoas mortas e muitos desabrigados. Mas no Texas… GAKIYA VEM? Depois da aprovação da PEC da Segurança Pública no Senado, Lula prepara a criação de um ministério exclusivo para a área. O principal cotado para assumir a pasta é o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação contra o PCC em São Paulo. Segundo o Metrópoles, o presidente já teria sondado o promotor. Caso ele não aceite o convite, o nome do atual secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, aparece como alternativa. Também circulam nos bastidores os nomes de Rui Costa e Camilo Santana. A expectativa é que a nova estrutura seja criada ainda em novembro, por medida provisória, mas funcione plenamente apenas em 2027.
O PLANO REAL TERMINOU? Trinta anos depois de ajudar a criar o Plano Real, André Lara Resende apresenta uma proposta que pode ser interpretada como uma continuação daquela transformação econômica. Se nos anos 1990 o desafio era romper a indexação generalizada que alimentava a hiperinflação, agora a discussão passa pela indexação financeira da dívida pública à Selic. O economista questiona um modelo em que o Estado remunera títulos públicos com juros elevados e propõe uma nova coordenação entre as políticas fiscal e monetária. A discussão vai além de baixar a taxa de juros: trata de enfrentar uma herança da arquitetura financeira brasileira que sobreviveu à estabilização da moeda. O Real domou a inflação. Talvez ainda falte completar a reforma da relação entre o Estado e o mercado financeiro.


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